domingo, 19 de abril de 2015

UMA DAS PRINCIPAIS FONTES DE INFORMAÇÕES DOS COXINHAS

Picareta implicante: o mercenário do blog tucano terá de se explicar aos otários que acreditaram nele



Postado em 18 abr 2015
Gravataí Merengue
Fernando Gouvea, aka Gravataí Merengue

Fernando Gouveia, o homem que recebe 70 mil reais por mês do governo Alckmin para detonar o PT e fazer propaganda tucana num site, é um caso de parasitagem antiga na internet.
Gouveia está tentando se explicar para os otários que acreditaram — ou fingiram acreditar — nas papagaiadas que publicou no blog Implicante. Um deles aparece no Facebook com uma saudação. “Parabéns pela parasitagem e cara de pau”. Outro pede um frila.
Gouveia, que se esconde há anos sob o pseudônimo idiota Gravataí Merengue, que deve achar genial, está há muito tempo exercendo sua especialidade: enxovalhar reputações na net. O alvo depende da grana.
Sua explicação longa e confusa para seu desmascaramento, em resumo, é a seguinte: “Eu não sou contratado, ponto.” Mais para a frente: “Precisam atacar uma contratação”. Como assim? No meio do caminho, aquele papo furado sobre tentar calar “opiniões nas redes sociais, especialmente contra o PT”.
E a mentira de que não se identifica como CEO no Implicante. Sim, se identifica como — veja que divertido —  “CEO, CFO, Capitão de Fragata, Diretor Jurídico, Diretor de RH, Diretor Musical e filho do dono do Implicante. No Twitter, @gravz.”
Fernando se esconde por trás do tal Gravataí. Sempre esteve colado nas sombras do poder público. Entre abril de 2001 e julho de 2003, foi assessor jurídico da prefeitura de São Paulo, durante a gestão de Marta Suplicy.
De 2005 a 2008, foi chefe de gabinete da corajosa, coerente e independente Soninha Francine. Em 2006, chegou a montar um blog chamado Gerente Chuchu, atualmente desativado, em que criticava Alckmin.
Depois de um bate boca de Gravataí Gouveia, Soninha descreveu o assessor: “Argumentador compulsivo, polemista incansável, sarcástico, muito inteligente, muito bem informado, com um estilo ácido que resvala na violência. Acidez (ou violência) que as pessoas normalmente apreciam muito, quando é voltada para o ‘inimigo’”.
Uma graça, o rapaz.
No papel de Gravz, o publicitário virou uma referência reaça no Twitter, sempre atento a denunciar aquele pacote que você já conhece. “Quando blogueiro oficial do governo diz que os querem ‘calar’ por contar a verba pública, fica claro o MOTIVO pelo qual ‘falam’”, escreveu no Twitter. Também ironizou os supostos “caraminguás” do personagem Dilma Bolada.
Um picareta pseudoneoliberal mamando no que chamou de Gerente Chuchu para poder produzir lixo consumido por mentecaptos. O negócio agora vai ser Gravataí Manguaça explicar para seus cúmplices nos sites o que fazia com tanto dinheiro —  no mínimo, terá de dizer por que não dividiu o butim com eles para que pudessem apoiar com mais rigor e sinceridade a livre iniciativa, o estado mínimo e o PSDB.

O GOLPE SEM MISERICÓRDIA NOS TRABALHADORES

Economia

Direitos Trabalhistas

'Lei da terceirização é a maior derrota popular desde o golpe de 64'

Para Ruy Braga, professor da USP especializado em sociologia do trabalho, Projeto de Lei 4330 completa desmonte iniciado por FHC e sela "início do governo do PMDB"
por Wanderley Preite Sobrinho — publicado 10/04/2015 03:05, última modificação 11/04/2015 16:00
Reprodução/Facebook
Especialista em sociologia do trabalho, Ruy Braga traça um cenário delicado para os próximos quatro anos: salários 30% mais baixos para 18 milhões de pessoas. Até 2020, a arrecadação federal despencaria, afetando o consumo e os programas de distribuição de renda. De um lado, estaria o desemprego. De outro, lucros desvinculados do aumento das vendas. Para o professor da Universidade de São Paulo (USP), a aprovação do texto base do Projeto de Lei 4330/04, que facilita a terceirização de trabalhadores, completa odesmonte dos direitos trabalhistas iniciado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na década de 90. “Será a maior derrota popular desde o golpe de 64”, avalia o professor em entrevista aCartaCapital.
Embora o projeto não seja do governo, Braga não poupa a presidenta e o PT pelo cenário político que propiciou sua aprovação. Ele cita as restrições ao Seguro Desemprego, sancionadas pelo governo no final de 2014, como o combustível usado pelo PMDB para engatar outras propostas desfavoráveis ao trabalhador, e ironiza: “Esse projeto sela o fim do governo do PT e o início do governo do PMDB. Dilma está terceirizando seu mandato”.
Leia a entrevista completa:
CartaCapital: Uma lei para regular o setor é mesmo necessária?
Ruy Braga: Não. A Súmula do TST [Tribunal Superior do Trabalho] pacificou na Justiça o consenso de que não se pode terceirizar as atividades-fim. O que acontece é que as empresas não se conformam com esse fato. Não há um problema legal. Já há regulamentação. O que existe são interesses de empresas que desejam aumentar seus lucros.
CC: Qual a diferença entre atividade-meio e atividade-fim?
RB: Uma empresa é composta por diferentes grupos de trabalhadores. Alguns cuidam do produto ou serviço vendido pela companhia, enquanto outros gravitam em torno dessa finalidade empresarial. Em uma escola, a finalidade é educar. O professor é um trabalhador-fim. Quem mexe com segurança, limpeza e informática, por exemplo, trabalha com atividades-meio.
CC: O desemprego cai ou aumenta com as terceirizações?
RB: O desemprego aumenta. Basta dizer que um trabalhador terceirizado trabalha em média três horas a mais. Isso significa que menos funcionários são necessários: deve haver redução nas contratações e prováveis demissões.
CC: Quantas pessoas devem perder a estabilidade?
RB: Hoje o mercado formal de trabalho tem 50 milhões de pessoas com carteira assinada. Dessas, 12 milhões são terceirizadas. Se o projeto for transformado em lei, esse número deve chegar a 30 milhões em quatro ou cinco anos. Estou descontando dessa conta a massa de trabalhadores no serviço público, cuja terceirização é menor, as categorias que de fato obtêm representação sindical forte, que podem minimizar os efeitos da terceirização, e os trabalhadores qualificados.
CC: Por que os trabalhadores pouco qualificados correm maior risco?
RB: O mercado de trabalho no Brasil se especializou em mão de obra semiqualificada, que paga até 1,5 salário mínimo. Quando as empresas terceirizam, elas começam por esses funcionários. Quando for permitido à companhia terceirizar todas as suas atividades, quem for pouco qualificado mudará de status profissional.
CC: Como se saíram os países que facilitaram as terceirizações?
RB: Portugal é um exemplo típico. O Banco de Portugal publicou no final de 2014 um estudo informando que, de cada dez postos criados após a flexibilização, seis eram voltados para estagiários ou trabalho precário. O resultado é um aumento exponencial de portugueses imigrando. Ao contrário do que dizem as empresas, essa medida fecha postos, diminui a remuneração, prejudica a sindicalização de trabalhadores, bloqueia o acesso a direitos trabalhistas e aumenta o número de mortes e acidentes no trabalho porque a rigidez da fiscalização também é menor por empresas subcontratadas.
CC: E não há ganhos?
RB: Há, o das empresas. Não há outro beneficiário. Elas diminuem encargos e aumentam seus lucros.
CC: A arrecadação de impostos pode ser afetada?
RB: No Brasil, o trabalhador terceirizado recebe 30% menos do que aquele diretamente contratado. Com o avanço das terceirizações, o Estado naturalmente arrecadará menos. O recolhimento de PIS, Cofins e do FGTS também vão reduzir porque as terceirizadas são reconhecidas por recolher do trabalhador mas não repassar para a União. O Estado também terá mais dificuldade em fiscalizar a quantidade de empresas que passará a subcontratar empregados. O governo sabe disso.
CC: Por que a terceirização aumenta a rotatividade de trabalhadores?
RB: As empresas contratam jovens, aproveitam a motivação inicial e aos poucos aumentam as exigências. Quando a rotina derruba a produtividade, esses funcionários são demitidos e outros são contratados. Essa prática pressiona a massa salarial porque a cada demissão alguém é contratado por um salário menor. A rotatividade vem aumentando ano após ano. Hoje, ela está em torno de 57%, mas alcança 76% no setor de serviços. O Projeto de Lei 4330 prevê a chamada "flexibilização global", um incentivo a essa rotatividade.
CC: Qual o perfil do trabalhador que deve ser terceirizado?
RB: Nos últimos 12 anos, o público que entrou no mercado de trabalho é composto por: mulheres (63%), não brancos (70%) e jovens. Houve um avanço de contratados com idade entre 18 e 25 anos. Serão esses os maiores afetados. Embora os últimos anos tenham sido um período de inclusão, a estrutura econômica e social brasileira não exige qualificações raras. O perfil dos empregos na agroindústria, comércio e indústria pesada, por exemplo, é menos qualificado e deve sofrer com a nova lei porque as empresas terceirizam menos seus trabalhadores qualificados.
CC: O consumo alavancou a economia nos últimos anos. Ele não pode ser afetado?
RB: Essa mudança é danosa para o consumo, o que inevitavelmente afetará a economia e a arrecadação. Com menos impostos é provável que o dinheiro para transferência de renda também diminua.
CC: Qual a responsabilidade do PT e do governo Dilma por essa derrota na Câmara?
RB: O governo inaugurou essa nova fase de restrição aos direitos trabalhistas. No final de 2014, o governo editou as medidas provisórias 664 e 665, que endureceram o acesso ao Seguro Desemprego, por exemplo. Evidentemente que a base governista - com PMDB e PP - iria se sentir mais à vontade em avançar sobre mais direitos. Foi então que [o presidente da Câmara] Eduardo Cunha resgatou o PL 4330 do Sandro Mabel, que nem é mais deputado.
CC: Para um partido de esquerda, essa derrota na Câmara pode ser considerada a maior que o PT já sofreu?
RB: Eu diria que, se esse projeto se tornar lei, será a maior derrota popular desde o golpe de 64 e o maior retrocesso em leis trabalhistas desde que o FGTS foi criado, em 1966. Essa é a grande derrota dos trabalhadores nos últimos anos. Ela sela o fim do governo do PT e marca o início do governo do PMDB. A Dilma está terceirizando seu mandato.
CC: A pressão do mercado era mesmo incontornável?
RB: Dilma deixou de ser neodesenvolvimentista a partir do segundo ano de seu primeiro mandato. Seu governo privatizou portos, aeroportos, intensificou a liberação de crédito para projetos duvidosos e agora está fazendo de tudo para desonerar o custo do trabalho. O governo se voltou contra interesses históricos dos trabalhadores. O que eu vejo é a intensificação de um processo e não uma mudança de rota. Se havia alguma dúvida, as pessoas agora se dão conta de que o governo está rendido ao mercado financeiro.
CC: A terceirização era um dos assuntos preferidos nos anos 90, mas não passou. Não é contraditório que isso aconteça agora?
RB: O Fernando Henrique tentou acabar com a CLT [Consolidação das Leis do Trabalho] por meio de uma reforma trabalhista que não foi totalmente aprovada. Ele conseguiu passar a reforma previdenciária do setor privado e a regulamentação de contratos por tempo determinado. O governo Lula aprovou a reforma previdenciária do setor público e agora, com anos de atraso, o segundo governo Dilma conclui a reforma iniciada por FHC.
CC: Mas a CLT não protege também o trabalhador terceirizado?
RB: A proteção da CLT é formal, mas não acontece no mundo real. Quem é terceirizado, além de receber menos, tem dificuldade em se organizar sindicalmente porque 98% dos sindicatos que representam essa classe protegem as empresas em prejuízo dos trabalhadores. Um simples dado exemplifica: segundo o Ministério Público do Trabalho, das 36 principais libertações de trabalhadores em situação análoga a de escravos em 2014, 35 eram funcionários terceirizados.
CC: A bancada patronal tem 221 parlamentares, segundo o Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar). Existe alguma relação entre o tão falado fim do financiamento privado de campanha e a aprovação desse projeto?
RB: Não há a menor dúvida. Hoje em dia é muito simples perceber o que acontece no País. Para eleger um vereador em São Paulo paga-se 4 milhões de reais. Para se eleger deputado estadual, são 10 milhões. Quem banca? Quem financia cobra seus interesses, e essa hora chegou. Enquanto o presidente da Fiesp [Federação das Indústrias do Estado de São Paulo], Paulo Skaf, ficou circulando no Congresso durante os últimos dois dias, dando entrevista, conversando com deputados e defendendo o projeto, sindicalistas levavam borrachada da polícia. Esse é o retrato do Congresso brasileiro hoje: conservador, feito de empresários, evangélicos radicais e bancada da bala.

Sob o governo Dilma, a Funai foi reduzida e levada à informalidade, a demarcação de terras indígenas é a menor desde a redemocratização e o Congresso e STF impõem retrocessos aos direitos indígenas

Sociedade

Dia Nacional do Índio

Índios ocupam Brasília para serem enxergados pelo governo

Sob o governo Dilma, a Funai foi reduzida e levada à informalidade, a demarcação de terras indígenas é a menor desde a redemocratização e o Congresso e STF impõem retrocessos aos direitos indígenas
por Marcelo Pellegrini — publicado 19/04/2015 08:58
Lula Marques/ Fotos Públicas
Índios
Índios apontam flechas para o Palácio do Planalto em protesto contra o retrocesso dos direitos indígenas
Mais de 1500 lideranças indígenas de todo o Brasil ocuparam as ruas e a agenda do Poder em Brasília, entre os dias 13 e 16 de abril. Pintados com urucum e empunhando arcos e chocalhos, os índios organizaram protestos pacíficos e pressionaram por encontros com as principais autoridades brasileiras, como o vice-presidente, Michel Temer, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
A mobilização impressiona por seu tamanho e organização. Desde a redemocratização, os 817 mil índios brasileiros não têm um representante no Congresso. O último parlamentar indígena foi o deputado federal Mário Juruna, eleito em 1983. Sem representação, os índios não possuem poder institucional para contrapor os interesses da bancada de parlamentares ruralistas, grupo que disputa, na Justiça ou nas armas, terras que os índios reclamam para si.
Na última eleição, a bancada ruralista cresceu e já conta com cerca de 250 deputados e 16 senadores, segundo a estimativa da Frente Parlamentar da Agropecuária. Com a eleição do Congresso mais conservador desde a redemocratização e o aprofundamento da crise econômica, os direitos indígenas têm sofrido graves ameaças de retrocesso. Na Câmara Federal, deputados reativaram a Comissão Especial que estuda a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 215. Se aprovada, a proposta retirará a exclusividade do Executivo em decidir sobre as demarcações e compartilhará esse poder também com o Congresso. Capitaneada pela bancada ruralista, a PEC 215 é interpretada por lideranças indígenas como um artifício para emperrar a já lenta demarcação de terras indígenas.
Atualmente, existem 230 terras indígenas em processo de reconhecimento oficial pelo Estado, segundo dados do Instituto Socioambiental. Embora, o número ainda seja elevado, a maior parte das terras indígenas - cerca de 70% - já foram reconhecidas. Por isso, o processo é considerado em "fase terminal", pelo ex-presidente da Funai Marcio Santilli. O problema é que as áreas restantes são justamente as de conflito. "Muitas vezes, o reconhecimento de terras indígenas incide sobre áreas tituladas para terceiros pelo próprio Poder Público", afirma Santilli. Os terrenos a que Santilli se refere são terras públicas, em território indígena, que foram doadas a posseiros durante a ditadura como parte da reforma agrária ou do projeto "ocupar para não perder" implantado na Amazônia.
Há décadas estes processos estão parados na Justiça brasileira, o que aumenta a ansiedade e a possibilidade de conflito. A solução para esse impasse, argumenta Santilli, poderia ser acelerada caso a Presidência optasse por acordos compensatórios entre os índios e os assentados, em vez de judicializar o conflito. "Fica claro que só o Poder Público pode resolver um problema que ele próprio gerou no passado", diz.
No entanto, nada sinaliza que a Presidência opte por essa via, pelo contrário. No momento, há 21 terras indígenas que aguardam há anos apenas a assinatura da presidenta Dilma Rousseff para serem homologadas. Outros 12 processos, que não possuem nenhum impedimento administrativo ou judicial, esperam por portarias declaratórias do Ministério da Justiça. Não há, porém, prazo para que isso aconteça. "Os processos precisam ser retomados, porque a situação é muito ruim em todo o país. Em Mato Grosso do Sul vivemos sob constante violência, o povo na beira da estrada e os assassinatos todos os dias. Situação parecida acontece no sul e no nordeste do País e na Amazônia, as terras indígenas sofrem graves situações de invasão, de exploração de madeira e minério", relata Sonia Guajajara, coordenadora da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).
Em reunião com lideranças indígenas, na quinta-feira 16, o vice-presidente Michel Temer disse desconhecer esses processos. "Vou falar com a presidente Dilma, não estou sabendo desses processos paralisados, mas vou dizer que eu os recebi, para que, se for o caso, dar sequência a essas demarcações”, disse.
Protesto indígena
Índios montaram acampamento na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, e protestaram contra a demora do governo na demarcação de suas terras. Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil
Enquanto a Presidência não age, o Judiciário decide sobre os conflitos - e nem sempre a favor dos índios. Em outubro, com votos de Celso de Mello, Gilmar Mendes e Cármen Lúcia, a 2ª turma do STF (da qual fazem parte também Teori Zavascki e Dias Toffoli) decidiu pela anulação de duas portarias declaratórias de terras tradicionalmente ocupadas pelos povos Guarani-Kaiowá e Terena, no Mato Grosso do Sul, e Canela-Apãnjekra, no Maranhão. No entendimento dos juízes, a Constituição é o “marco temporal” que condiciona o direito indígena à ocupação do território. Ou seja, os índios que não ocupavam a área reclamada em 1988 não têm direito à terra.
"Isso é uma decisão absurda que não leva em conta a história de conflitos no País", afirma a liderança indígena Lindomar Terena. "Como poderíamos estar na terra em 1988 se expulsaram a gente e nos mandaram para as reservas?", indaga. As decisões da 2ª turma ainda precisam ser confirmadas pelo plenário do STF. Na quarta-feira 15, o ministro do STF Dias Toffoli disse que o Judiciário não é o melhor caminho para solucionar problemas como esse.“Na Justiça você não tem meio termo, ou ganha um ou ganha outro, o que não resolve o conflito. O ideal é sempre que o Estado intervenha criando uma solução que seja arbitrada”, afirmou.
A frustração dos índios com governo tem crescido porque até o momento pouco do que Dilma prometeu em campanha foi cumprido. Em outubro de 2014, Dilma divulgou a Carta aos Povos Indígenas do Brasil, na qual reafirmava seu compromisso com demarcação de terras, com saúde e educação indígenas. O documento foi recebido pelos povos indígenas como um pedido de "segunda chance" do governo Dilma, que é o governo que menos demarcou terras desde a redemocratização. No entanto, desde então a situação indígena só pirou.
Enfraquecimento da Funai
A Fundação Nacional do Índio (Funai), responsável por proteger e promover os direitos dessa população, viu seu orçamento minguar de 174 milhões de reais, em 2013, para 154 milhões em 2014. E nada indica que o órgão esteja livre de mais cortes em um ano de ajuste fiscal. Além disso, a Funai vive uma condição de informalidade institucional no governo Dilma. Desde 2010, quando Dilma assumiu o primeiro mandato, o número de funcionários permanentes da Funai diminui de 2.396 para 2.238 e o órgão está sendo presidido em condição de interinidade há 22 meses, algo sem precedentes na história do órgão.
O governo Dilma também carrega a marca de ser o governo com a menor demarcação de terras indígenas desde a redemocratização, o que é considerado "uma inflexão histórica" pelo ex-presidente da Funai, Marcio Santilli. No primeiro mandato da petista, apenas 10 terras foram declaradas e 11 homologadas. No governo Lula, esse número era de 51 e 21, respectivamente.
No âmbito da saúde, o Ministério da Saúde se apressa para enviar ao Congresso a proposta de criação do Instituto de Saúde Indígena (INSI). A proposta conta com a oposição do Ministério Público Federal e de lideranças indígenas que vêm o projeto como uma privatização da saúde indígena.
Por isso, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) entregou ao ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Miguel Rosseto, na quarta-feira 15, uma carta endereçada à presidente Dilma, na qual exige o cumprimento dos compromissos de campanha e pede por “nenhum direito a menos, nenhum passo atrás, só mais direitos e só o caminho à frente”.
Congresso
Ainda na quarta-feira 15, lideranças se encontraram com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A PEC 215 dominou o encontro em que Cunha se comprometeu a não usar a prerrogativa presidencial de levar a proposta para votação no plenário. Ou seja, garantiu que não há pressa para votá-la.
No entanto, Cunha não inspirou confiança. “Já se passaram quase 30 anos da promulgação da Constituição. Na época determinaram que em cinco anos todas as terras indígenas deveriam ter sido demarcadas. Esse prazo não foi respeitado e nem a Constituição está sendo. A própria casa que a criou quer desfazê-la. É uma vergonha”, disse o cacique Nailton Pataxó Hã-hã-hãe a Cunha, lembrando que Cunha se filiou à Frente Parlamentar da Agropecuária dois dias antes da criação da Comissão Especial da PEC 215.
A PEC 215, contudo, não é a única preocupação indígena. Tramitam no Congresso, um projeto de lei (PL) e um projeto de lei complementar (PLP), com teor semelhante, que visam reduzir os direitos indígenas em prol de interesses da mineração e do agronegócio. O Projeto de Lei 1610/96, de autoria do senador Romero Jucá (PMDB-RR), pretende “regulamentar” a mineração em terras indígenas, enquanto o PLP 227 cria exceções ao direito de uso exclusivo dos indígenas das terras tradicionais, em caso de relevante interesse público da União.
O avanço do lobby do setor primário (agronegócio e mineração) no Congresso é um reflexo da economia brasileira, segundo Marcio Santilli. "[O lobby] está ligado com o processo econômico do País, que também passa por um retrocesso do ponto de vista histórico. A indústria se retrai, o setor de serviços está estagnado e o setor primário, com a mineração e o agronegócio, avança. É como se estivéssemos retornando a um período anterior ao Getúlio Vargas e isso influencia na representação política desses setores e no poder de pressão que eles têm sobre o Poder Público", afirma.
A Funai foi procurada, mas não respondeu as perguntas até a publicação desta reportagem.
Índios no Congresso
Lideranças indígenas apresentaram suas reivindicações no Congresso. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasi
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O POVO NÃO É BOBO, FECHA A REDE GLOBO!!!!

Sindicatos, Associações, Movimentos Sociais e Sites assinam manifesto pelo fim da Rede Globo

50 anos da Globo: Vamos descomemorar!

Coletivos, veículos de mídia, blogs, sindicatos, associações e movimentos sociais assinam manifesto em repúdio à Rede Globo e preparam uma série de mobilizações para “descomemorar” os 50 anos da emissora 

Por Redação

A TV Globo festejará os seus 50 anos de existência no dia 26 de abril. Serão promovidos megaeventos e lançados vários produtos comemorativos. No mesmo período, porém, muita gente está disposta a promover a “descomemoração” do aniversário do império global, um ato de repúdio ao papel nocivo desse grupo de mídia na história do país. Uma palavra-de-ordem que se destaca em todo o Brasil em manifestações recentes é: “O povo não é bobo. Fora Rede Globo”. E motivos não faltam para esta revolta.
A emissora é filha bastarda do golpe militar de 1964. O então diretor do jornal “O Globo” Roberto Marinho foi um dos principais incentivadores da deposição do presidente João Goulart, dando sustentação ideológica à ação das Forças Armadas. Um ano depois, foi fundada a sua emissora de televisão, que ganhou as graças dos ditadores. O império foi construído com incentivos públicos, isenções fiscais e outras mutretas. Os concorrentes no setor foram alijados, apesar do falso discurso global sobre o livre mercado.
Nascida da costela da ditadura, a TV Globo tem um DNA golpista. Apoiou abertamente as prisões, torturas e assassinatos de inúmeros lutadores patriotas e democratas que combateram o regime autoritário. Fez de tudo para salvar o regime dos ditadores, inclusive omitindo a jornada das Diretas Já na década de 80. Com a democratização do país, ela atuou para eleger seus candidatos – os falsos “caçadores de marajás” e os convertidos “príncipes neoliberais”. Na fase recente, a TV Globo militou contra toda e qualquer avanço mais progressista, atuando na desestabilização dos governos que não rezam integralmente a sua cartilha. Nas marchas de março desse ano, ela ajudou a mobilizar o anseio golpista e garantiu a ele todos seus holofotes.
A revolta contra a Globo que ganha corpo está ligada também à postura sempre autoritária diante dos movimentos sociais brasileiros. As lutas dos trabalhadores ou não são notícia na telinha ou são duramente criminalizadas. A emissora nunca escondeu o seu ódio ao sindicalismo, às lutas da juventude, aos movimentos dos sem-terra e dos sem-teto. Através da sua programação, não é nada raro ver a naturalização e o reforço ao ódio e ao preconceito. Esse clima de controle e censura oprime jornalistas, radialistas e demais trabalhadores da empresa, que são subjugados por uma linha editorial que impede, na prática, o exercício do bom jornalismo, servidor do interesse público, em vez da submissão à ânsia de poder de grupos privados.
Além da sua linha editorial golpista e autoritária, a Rede Globo – que adora criminalizar a política e posar de paladina da ética – está envolvida em inúmeros casos suspeitos. Até hoje, ela não mostrou o Darf (Documento de Arrecadação de Receitas Federais) do pagamento dos seus impostos, o que só reforça a suspeita da bilionária sonegação da empresa na compra dos direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2002. A falta de transparência do império em inúmeros negócios é total. Ela prega o chamado “Estado mínimo”, mas vive mamando nos cofres públicos, seja através dos recursos milionários da publicidade oficial ou de outros expedientes mais sinistros.
Essas e outras razões explicam o forte desejo de manifestar o repúdio à TV Globo em seu aniversário de 50 anos. Assim, vamos realizar em torno do dia 26 de abril uma série de manifestações, em todo o país, para denunciar a emissora como golpista ontem e hoje; exigir a comprovação do pagamento de seus impostos; e reforçar a luta por uma mídia democrática no Brasil.
Sem enfrentar o poder e colocar limites à maior emissora do Brasil – e uma das cinco maiores do mundo – não será possível garantir a regulamentação dos artigos da Constituição que proíbem o monopólio para levar a cabo a democratização do país. Por isso, vamos às ruas contra a Globo e convidamos todos os brasileiros comprometidos com a democracia, a liberdade de expressão, a cultura nacional, o jornalismo livre e a soberania popular a participar das manifestações em todo o país.

Assinam este manifesto (em ordem alfabética):

ANPG – Associação Nacional de Pós-Graduandos

Associação Franciscana de Defesa de Direitos e Formação Popular

Campanha por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político

Centro de Estudos Barão de Itararé

Consulta Popular

Contracs – Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio e Serviços

CTB – Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do BrasilCUT- Central Única dos Trabalhadores
Enegrecer- Coletivo Nacional de Juventude Negra

FNDC- Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação

Fora do Eixo

FUP- Federação Única dos Petroleiros

Intersindical Central da Classe Trabalhadora

Intervozes

Juventude do PT

Levante Popular da Juventude

MAB- Movimento dos Atingidos por Barragens

Marcha Mundial das Mulheres

Movimento JUNTOS!

MST- Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra

MTST- Movimento dos Trabalhadores Sem Teto

Mídia Livre

Nação Hip Hop Brasil

Portal Metrópole

Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo

Sindicato dos Professores (Sinpro) de CampinasUBM- União Brasileira de Mulheres
UJS- União da Juventude Socialista

UNE- União Nacional dos Estudantes

Uneafro-Brasil

Jornal Brasil de Fato

Site Vermelho

Blog da Cidadania

Blog Maria Frô

Blog O Cafezinho

Blog Viomundo